TRANSPENUMBRA DO ARMAGEDOM - de Silas Corrêa Leite
Almanaque Inéditos & Afins – ALGUNS SAIRAM NA REVISTA DO ESCRITOR DA UBE
Microconto:
“John Lennon”
-Quem atirou em você? Quem atirou em você?
-Um louco... um fã louco. Você viu? Você viu? Por favor, chame a policia, chame um médico, chame uma ambulância...
-Os paramédicos do Central Park foram avisados, estão vindo...
-Tenho sede, muita sede – Ah meu Deus... Não posso ver sangue... Ajude-me, help-me!
-Eu não posso fazer nada... só podemos esperar... Sou uma testemunha vital...
-Você viu... você viu? - Peça pro meu filho me perdoar...
-Não fale agora... tudo vai dar certo... tudo vai acabar bem...
-Quem é você? Você tem um sotaque diferente... Você não é branco e nem negro...
-Sou do Brasil, sou de Itararé-city, São Paulo, Brasil... sou de uma banda amadora de rock de lá...
-O país das mulheres peladas na praia, entre maconheiros, vendedores de coco, índios, sambistas, curandeiros, pigmeus, godzilas?
-Não fale... não fale agora...
-Ah meu Deus... como é que pode... Estou vendo Élvis... Estou vendo Élvis!
-Não fale, calma, não pense, quer um chiclete de hortelã... é brasileiro...
-Não tem bactérias? Ah, não... não quero... Preferia uma Coke... Estou vendo minha mãe... Eu queria tanto estar com a Yoko Onno agora...
-Calma, fique calmo, eu estou aqui, os socorristas estão vindo...
-Está tudo escuro... Afinal, você existe mesmo ou é só uma visão minha?
-Imagine
(Pano Rápido)
“Solução Final”
Parece que só faz um minuto
Que o último trem partiu para Auschwits
E já estão preparando outros fornos, outros gases, outros trens,
outros genocídios, outros refugiados, outros inocentes escolhidos para a viagem...
Os supermercados caros serão tomados – bem-aventurados
Pelos cinturões de miséria
Os condomínios ricos serão cercados – bem-aventurados
Por pobres morrendo de fome
Os tribunais decrépitos serão julgados – bem-aventurados
Por condenados inocentes
Os policiais serão predados – bem-aventurados
Pela justiça das ruas...
Quem serão os próximos? Os latinos? Os 'noias'?
Os negros de novo?
Os índios de novo?
As mulheres de novo?
Ou procurarão ciganos, maçons, asiáticos, islâmicos, black blocs
E os colocarão nos trilhos para a solução final?
Tudo novamente de tudo
A história repetindo o erro.
A África mãe ainda estará lá
Quando os brancos forem extintos
Para começaram tudo de novo
Um novo, céu, uma nova terra?
“Infância, Canto e Dor”
Para Fatoumata Diawara (Cantora Malinesa)
Escrevo porque tenho a necessidade de cantar.
Entre os beduínos, o homem que conduz os camelos, quando está só no deserto,
Ele canta. Eu estou lá.
Eu estou só e canto sobre a vida, sobre mim.
Outros vão escutar e, talvez, cantar também...
(Poeta Árabe Khalid Al-Maaly)
Começaste a cantar nas ruas, para recolher migalhas
Para colocar comida em casa – Eras uma criança
Cantavas em casamentos, batizados, becos de sombras, pontas de ruas, e dizias:
-Gente, eu Canto porque tenho fome...
Perdoem se meu canto é rude e primário e amargo e triste.
Se minha dor entrar em transe, e meu canto for melancólico, perdoem
Minha mãe meus irmãos precisam comer...
(Eu poderia morrer – sobraria mais comida pra todos eles
Mas, quem os sustentaria com o canto triste, feito um pardal rueiro?)
Ainda muito criança de tudo, cantaste nas ruas
Nas praças; a voz de inicio fraca como uma taquara rachada
Mas a dor engrossa a voz, afina a alma, tange a tristice. E os sentimentos rompem como um canto da Terra de Gilgamesh
Olhem meus olhos. São tristes. Olhem minha cara. Tenho cara de pobre? Pois eu sou pobre.
Minha infância, meu canto, minha voz soando nos corações, o que diz?
Meus olhos às vezes ficam marejados quando eu canto.
(As pessoas não compreendem a dor que eu sinto.
Sou eu essa voz, essa dor, esse canto.)
Uma criança canta para a família não morrer de fome.
Não tenho dinheiro nem para alugar um simples tambor barato que me acompanhe feito um coração serelepe.
Não tenho forças nem para bater palmas com o meu cantar
Não tenho muita força nem para me manter em pé, me sustentar. Sou uma criança...
Mas é o meu canto que me segura; minha voz sustenta meu corpo fraco
Sou todo eu, essa voz que vocês ouvem
(Mas alguns me olham detravessado
Alguns se repugnam, como se eu fosse uma criança leprosa
Alguns têm medo da minha tristeza e da minha miséria
Mas eu sou só uma criança pobre de rua que canta)
Perdoem meu canto, minha dor de existir; preciso levar algumas moedas para casa
Para podemos louvar a Deus antes do prato de sopa de pedras
Perdoem se minhas lágrimas estão nos meus cantos, nas minhas vestes simples, nas minhas palavras...
Não posso nem dançar uma dança tribal; eu morreria de cansado, eu não teria forçar para sobreviver cantando e dançando
Então eu danço com a voz; perdoem o tambor do meu coração sofrido
Perdoem se eu sou uma criança com fome que canta
Levem meu Canto para onde forem. Suas casas, palácios, igrejas e clubes.
E cantem vossos cantos por mim também, em meu nome, em nome daqueles que vocês adornam no presépio elétrico...
Todos os dias as pessoas se afastam da religião e vão em busca de um Deus verdadeiro
Mas eu tenho fome, e tenho sede – e preciso das migalhas que caem das mesas de vocês...
Se vocês puderem me ajudar; seu não tiver atrapalhando o comércio e o lucro de vocês (e os deuses de vocês - e as guerras de vocês)
Sei que às vezes para os sábios, a fé remove religião, mas a única religião deveria ser o amor...
Mas, o que uma criança pode entender, se não só cantar a sua angústia, a sua opressão, a sua dor; a dor que lhe deram
E precisa se sustentar nessa dor para sobreviver
E levar alguns tostões para casa. E dizer à mãe abandonada; e dizer aos irmãos humildes e esperançosos: -Eis o meu suor, eis a minha dor, eis o meu sangue...
Comei e bebei de mim, de minha dor, de meu amor, de minha fé.
E todos se alimentarão do meu canto em sangue. E do meu amor lavrado de cantagonias...
MIXAGEM
“Eu vim matar você/E para isso trouxe a minha poesia e a minha música/Não adianta latir como um cão sarnento/Para ser um animal/Você precisa melhorar muito/Evoluir muito/Se eu cantasse rock/Se eu cantasse blues/Você talvez tivesse alguma saída de emergência/Alguma salvação/Odeie e aceite as consequências/Não há veludo nos becos escondidos entre os subterrâneos da cidade/Todos estão com as mãos ao alto/Você é um perigo/Você é uma arma fatal/Eu avisei que não iria perdoar ninguém” (Poema Letra de Blues)
CONDENADO
(CAUSINHO DOIS PALITOS)
– Atenção, Pelotão: preparar... Apontar...
– Peraí, Coronel! Calma lá. Eu não teria direito a um rápido e rasteiro último pedido?
– Claro, rapaz, claro. Mesmo condenado, você deveria ter. Mas eu decido se concedo ou não. E, falando francamente, mesmo que a última palavra nesse furdunço seja a sua, eu, mal-e-mal, só posso oferecer um cigarrinho marca Hollywood, e sem filtro.
– Ah, nessas horas não posso exigir muito, tá bom. Mas, cadê o palito de fósforo aceso, o isqueirinho...
– Pois é, camarada. Estou com o pelotão de fuzilamento prontinho, com você na mira. É só pedir.
– Pedir mais o quê?
– Fogo!
MICROCONTO
Juízo Final
-Próximo cadáver:
VERMES
O cientista no trem carregava um pote
De Vermes – para as suas experimentações
Na Estação de Itararé, o pesquisador
Levava inconclusões em seu empirismo
Sondei o homem triste, infeliz, ansioso
E contemplei os Vermes no pote de vidro
Fiquei com pena dos vermes, a irem
Com ele para o seu laboratório de Ser...
Depois fiquei com pena mesmo do homem
Os Vermes certamente melhores do que ele
Um dia o tomariam inteiro para si
E todos seriam vermes, homens, e eles...
Com pena do homem – (ou dos Vermes?)
Quedei-me a meditar todo confuso ali
Que Verme é o homem que mal se cabe em si
A procurar no bisonho o que de si é ver-se
AS LETRAS... AS LETRAS... AS LETRAS...
AS LETRAS São:
-As LETRAS são o sígnico do 'logus' num Lego da escrita soável, de fala lida, de escrita dizível, de linguagem montada, compreensão ledora e significantes imagéticos adjacentes de entornos, de inicio traços rupestres, contornos, alfabetos em argila, papiros, couros, tecidos, celuloses, teclados, chips...
-As Letras são picantes, sonoras, emergentes, compostas ou de-compostas, soam por si só juntas ou separadas, e clareiam os olhos vivificados num mirar para elas e por elas, sagraciando-as, em páginas de redes de livros, lombadas e finais felizes...
-As Letras são símbolos claros e evidentes, heranças ancestrais adquiridas, paisagens gráficas, estéticas em alto relevo, espaços que dizem e clarificam interpretações lúdicas, sementes de canteiros de sons pá-lavráveis, bateias, achadouros, orações & interpretações que calando por si, falam...
-As Letras são e têm vida própria, comunitárias, dialogando com vírgulas, sinais, somas; dizem no silêncio, palavreiam no lustral, falam em conjunto e se expressam em sentenças, consoantes e vogais, verbos metáforas e remontagens de equilibristas em tendas de dizeres...
-As Letras são atestados de presenças historiais, espelhos de civilizações, registros de buscas e anseios, explicações e sentidos de vidas humanas, almas humanas, culturas humanas em diálogos e artes magnas, capas e espadas, viagens e estadias...
-As Letras são individualizadas, mundializadas, customizadas, humanizadas, sentidos e peças de lazer, de estética, de canteiros, construções, pontes, elevadores, sinos, entre parágrafos, tópicos frasais, veios, pompas, música, polpas, árvores, pergaminhos, harmonia, ritmo, rima, e rito de passagem, nas paletas espaciais no espetáculo do circo da civilização...
-As Letras são farpas, ossos de juntas, relês, dobradiças, biscoitos, pilotos automáticos; são vibradoras, sombras, sobras, resíduos, faíscas, fósforos, jogo de erros e acertos, amarelinhas de retinas, pensagens, pensadilhos, fronteiras se abrindo, frutos e cogumelos e casulos, conquistas, portabilidades e pompas habitacionais do ser de si em sociedade e peregrinações...
-As Letras são infindas, eternais, futurais, mágicas “abensonhadas”, sadias, ‘pirilâmpadas’, caroços e limos, barro e desenhos, sumos e cimos, instrumentos extensões da visão, com as cores e luzes de seus focos primários, sequenciais, em conjunto com todas as rotas do mundo em erranças...
-As Letras são poços abertos em bandeiras de ares, em taras de valor, em moedas de trocas, em rios de mãos, em escritas consagradas, parlendas da alma, depois palavras, livros, mensagens, patuás, fios condutores, arames do oficio de, a própria natureza do ser e de se permanecer ser, continuando-as em nós, em nosso nome inaugural na tábua de carne da terra, depois em nossos registros, documentos, identidades e líricas... banzos, fados, mantras, sutras, versículos, blues...poesias...
-As LETRAS são a respiração da própria Existencialização...
Nanorrativas Radicais de Prosa Poética Abstrata e Obtusas
Para Mário e Oswald de Andrade
(1)-Olho no Olho
Havia um olho de vidro de pirata argelino dentro de uma lata velha de anchovas gregas e o dono do boteco ribeirinho que descobriu aturdido e estupefato tinha um número tatuado no braço esquerdo como um coice
(2)-Asas Roubadas
Tomar o velho trem não é colocá-lo no bolso surrado da calça rancheira com suspensório como uma pedra ou como tomar uma Coca Cola achando que vai levá-la consigo porque o trem leva cavalos mortos para um frigorífico clandestino de uma suspeita vereda muito além das montanhas dos abutres
(3)-Silêncio Sem Documento
Quando não houver mais nenhuma viva alma na terra e o espaço todo for reclassificado como puro e perfeito para uma santa harmonia orquestral da natureza-mãe para nova e futural recolonização quem lerá teus poemas viciados em cantagonias ou verá os vitrais escuros de tua refratária alma de anão de jardim?
(4)-Frutas Podres
Cem por cento dos tais santos de pau oco são falsos do diabo dizer que merda é essa coisa pior do que a religião câncer historial isso de inventar o inexistente uns pobres trastes velhos infelizes e mal amados numa sifilização doentia como se fossem exemplos de árvores de cadáveres
(5)-Remos no Ar
Mães são resinas de nuvens que vieram plantar buracos na terra e assim encherem de lágrimas os filhos órfãos quando depois elas vão embora para serem carpideiras em pagos do outro lado do além-lar
(6)Cata Vento
O vento passa assoviando uma espécie de flauta transversal feita de talo de cambuquira por um anjo cego e feio vestido de cascas de cebolas roxas
(7)-Futuro Free
Inventarão no futuro uma artificial vagina de isopor teflônico completamente perfeita que será programada para eliminar vírus, espermas indesejáveis ou penetrante invasivo que não acople sentimentos ou DNA identificável e previamente cadastrado com código chave e senha limpa no hard-disc da placa mãe
(8)-Anos-Luz
Geoide Planeta X-33 milhões de anos luz à frente do depositário de vermes que é a terra feito aterro sanitário no espaço já mandou mensagem final decodificada que não pretende contato algum com os pelados e peludos da inferior via láctea com seus chorumes e achadouros de trevas amorais
Olhai os Litros no Canto
Olhai os litros no canto
Conhaque, pinga, Martini, Cynar
E ainda o boêmio a procurar
Um aperitivo de anis para o quebranto
Olhai os litros em demasia
Destilados de incontáveis sabores
O boêmio em serpentina e poesia
Indisposição fisiologia e desamores
Olhai cada litro de bebida
Até amargas, como a vida o é
O noiteadeiro de Itararé
Aceitando desgraçar a própria vida
Olhai os semblantes perdidos
Dos viciados em aperitivos
São as paixões de seres vivos
Já pela cirrose combalidos
.............................................
Olhai os litros no canto
Se a um barista isso aprouver
Deve haver uma ingrata mulher
Fazendo o pinguço beber tanto!
PENSADILHO
O preço da boemia é a eterna indisposição fisiológica
PENSAGEM
Colabore com as autoridades. Cometa um crime perfeito.
Microconto:
COMPANHIA
Meus pais se separaram. Eu jamais poderia viver sem os dois por perto.
Matei meus pais
Agora convivo com dois fantasmas inseparáveis.
HOMEM POESIA
“Muito acima do silêncio/Gravo o teu nome... ”
Liberté, Paul Éluard -Versão Carlos Domingos
De tanto escrever florestas
O homem vira árvore
De filhos e livros e frutos e neuras – e poesia.
De tanto escrever poemas
O homem também vira umazinha
De loucuras santas e buscas libertárias.
De tanto escrever rios caudalosos
O homem tende a ser uma cisterna de nuvens.
De tanto dar asas à imaginação
O ser pode virar um homem-pássaro e escrever clarificações em verso e prosa.
Levo sementes nas poesias
E pedra sabão nos bolsos delas.
Escrevo para não ser encontrado.
Quando buscarem-me a mim, encontrarão
Em vez do poeta perigoso e peregrino, o poema furta-cor que dele brotou.
Carrego um tijolo da casa que já não há.
A Itararezinha em mim é outra.
Água e barro, lágrima e luz, linguagem e parede
Poesia como um barco verde, um ônibus azul, um cometa de fogo amarelo-laranja ou uma ilha-balão
De tanto escrever loucuras
Tornei-me eu mesmo uma Poesia
Vejam o que vão fazer disso
Que vou levar meu tijolo para erguer uma casa para minha mãe no céu
-0-
Águas e Turvações – (Desvarios Letrais)
Quem muito pergunta, acaba perseguindo a sua própria sombra
Não apresse seu rio interior. Ele corre sozinho. Não force a visão na água. O narciso pode ter medo do espelho
Castelos na água: areia na alma
Na angústia de chegarem em terra firme, muitas morrem antes de ver o espetáculo da busca em mar aberto
Quem está na chuva não pensa em se coçar
A água é sólida para o vento
Quem lamenta muito, pode perder as deliciosas visões do caminho
Quem agita muito as águas, quer visões turvas da água, do ar e da alma
Não basta chegar lá. É preciso amar a caminhada, estar de corpo e alma nela
Não se pode esperar muito de sementes lançadas na água
Ande com os bons e serás um dele. Ande com os maus e serás prisioneiro de lamentos futuros
Água mole em pedra dura, tanto bate que vira rota
As coisas simples na água se acomodam
Águas que se encontram, são como amores impossíveis: arrebentações
Da água viemos ao pó voltaremos. Somos um corpo líquido em risco entre uma coisa e outra
Águas turvas geram cavalos selvagens no espírito
Águas que riem não ficam paradas. Desatam cisternas íntimas
Quem levanta sede, nunca bebe água límpida
Tempestades em corpos de água: poetas etílicos
-0-
Poema de Natal
“Não tínhamos Pinheirinho/
Nem panetone, peru ou Cesta de Natal/
Tampouco brinquedos elétricos ou estrelas de luz/
Mas tínhamos o Pai com seus hinos, poemas, bandas e corais/
E assim era o nosso presépio pobre - e a “Música” era o Menino Jesus/
Tivemos que conviver com isso e acabamos finalmente “Filhos da Música”/
De alguma maneira vencemos a cifra de nossa cruz/
Choramos e sofremos e nos lavamos de algum modo na luta/
Ganhar ou perder a nossa própria coroa de espinhos cada um ao seu jeito fez jus/
Não tínhamos necessariamente um dezembro colorido ou especial/
Até hoje guardamos a “Musica” em memória do Pai. Esse é o nosso Natal”
(Poema Todo Natal é Música)
-0-
Silas Correa Leite é membro da UBE-União Brasileira de Escritores, ciberpoeta e blogueiro premiado, Prêmio Lygia Fagundes Telles para professor Escritor, autor, entre outros de “GOTO, a do Reino do Barqueiro Noturno do Rio Itararé”, Romance, Editora Clube de Autores - www.clubedeautores.com.br - Contatos: poesilas@terra.com.br
Site: www.poetasilascorrealeite.com.br

Comentários
Postar um comentário